quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Educomunicação:O caminho das imagens como mobilização socioambiental

Educomunicação:O caminho das imagens como mobilização socioambiental - Por Sucena Shkrada Resk 29/10/2012

Como lidar de forma sustentável com os resíduos? Talvez esse seja um dos desafios impostos aos moradores da comunidade da Ilha das Peças, em Guaraqueçaba, no litoral norte paranaense, na baía de Paranaguá, simultaneamente à gestão do poder público e aos veranistas que visitam esse destino ecoturístico. 

No início deste ano, foi publicada uma matéria no Correio do Litoral e veiculada em outras mídias, que destacava que em janeiro deste ano, haviam sido retiradas de lá, cerca de 15 toneladas de lixo de domicílios e comércios. “Foram retirados... lixos remanescentes de pelo menos dois anos que estavam lá”, garantia o diretor do Águas Paraná, Everton Luiz da Costa Souza (veja a íntegra em http://www.correiodolitoral.com/territorio/4695-45-ton-de-lixo-acumulado-nas-ilhas-de-guaraquecaba). Nove meses depois, a coleta regular , a separação e a destinação ao continente (o que exige uma logística complexa) parecem ser ainda problemáticas e o estímulo à separação dos resíduos e à reciclagem também não é uma prática local.

Em setembro deste ano, a organização Instituto Chico Mendes veiculou um VT de mutirão que ocorreu na ilha ( http://www.youtube.com/watch?v=5l6Gfi-lsUo), em que se constatou mais de 2 km de lixo espalhados pela beira da praia e resultou em 60 sacos de lixo, com peso total próximo a meia tonelada de lixo (com PET, isopor, pedaços plásticos e redes de pesca) . 

Essas são algumas das constatações que também ocorrem por meio do Projeto Mídia-Educação nas Escolas das Ilhas de Guaraqueçaba, (Ilha das Peças, Ilha Rasa e Reserva Nacional de Superagui) - http://pibid-midiaeducacao.blogspot.com.brdesenvolvido pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) Litoral com as comunidades de escolas locais, onde vivem principalmente caiçaras e pescadores artesanais e suas famílias. 

A iniciativa revela o quanto é possível expandir ainda mais o poder da semiótica para o papel de mobilização social, nas ações que envolvem fotografia e vídeo, como também a linguagem escrita desses jovens e adultos. Essa foi a leitura que tive após ver a apresentação do painel Semiótica e fotografia: ocorrências sígnicas nas comunidades dessas ilhas, apresentado pelo professor Fábio de Carvalho Messa e pelos alunos da universidade, Paulo Ricardo de Carvalho do Rosário e Graciele Cardoso Lukasak, no dia 25, durante o IV Encontro Brasileiro de Educomunicação, em São Paulo.

Além das imagens paradisíacas dessa região paranaense e de seres queridos pelos adolescentes, como os cães fotografados por eles, o que me chamou a atenção foi o registro do acúmulo de lixo (orgânico e inorgânico misturados) em um galpão, feito pelos próprios alunos. Eu me senti contagiada pela insatisfação com esse quadro. Isso se estende aos estudantes da UFPR, que acompanham o projeto, como Rafael Dauer Mello, graduando do Curso de Licenciatura em Artes, que escreveu um artigo na página do blog do Mídia-Educação, com o título “O problema do lixo no ambiente da Ilha das Peças” .

Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), No contexto socioambiental, o reconhecimento da Ilha das Peças e Superagüi como patrimônio natural e histórico, vem desde de 1970. Naquele ano, Superagüi foi inscrita sob o n° 27 no Livro de Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico da Divisão do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural do Paraná.

Uma das características da Baía do rio das Peças, Praia Deserta da Ilha das Peças e Vila das Peças é o fato de suas águas serem pontos de concentração de botos, principalmente mães com filhotes. (mais detalhes sobre o Parque em http://www.icmbio.gov.br/portal/o-que-fazemos/visitacao/ucs-abertas-a-visitacao/209-parque-nacional-do-superagui.html).

A preocupação com os resíduos em Superagui, já se tornou objeto do artigo “Superagui, Sítio do Patrimônio Natural da Humanidade e o Lixo”, escrito por Simone Eloisa Villanueva de Castro Ramos e Margarete Fuckner, no Observatório do Turismo do Paraná, da UFPR (http://www.obsturpr.ufpr.br/artigos/plannat02.pdf ) .

Entre as recomendações, está a compostagem, além da reciclagem de materiais, por meio de programas de educação ambiental. Segundo as autoras, essas são ações de baixo custo que favorecem a diminuição dos impactos ambientais, além de proporcionar economia de energia e abrir a possibilidade de geração de empregos com negócios economicamente viáveis derivados da reciclagem. 

O tema da gestão dos resíduos também aflige muitas ilhas pelo Brasil (em menor ou maior proporção) e envolve a questão da saúde ambiental. Estudos e mobilizações podem ganhar maior corpo nas práticas educomunicativas expressas sob o contexto da conscientização dos moradores, turistas e órgãos que são responsáveis pela gestão. 

Educomunicação: o sentido da inclusão

Árvore Educomunicativa - Agência Jovem

Educomunicação: o sentido da inclusão - Por Sucena Shkrada Resk 
30/10/2012

Quando pensamos a educomunicação no seu sentido holístico, fica claro que trafega na comunicação formal, não-formal e informal, abarca desde o educador popular ao acadêmico e traz o sentido de inclusão de direitos cidadãos, comunitários e dos mais variados sentidos tanto na ideologia, na linguagem e na troca de repertórios. Trocando em miúdos, não tem espaço para elitismo. De certa forma, também é uma ferramenta de potencialização de sonhos... 

Não é possível existir essa proposta (que pode ser vivenciada também sob outra nomenclatura...nesse Brasil de tantas matizes), se não houver liberdade de expressão, respeito às características regionais. Isso passa por aquisição de conhecimento, diagnóstico até regras muito bem definidas de patrocínio, para que não haja intervenção sobre a estrutura dos projetos...Os seres humanos devem ter mais importância no conteúdo do que logotipos. 

Pensar o processo educomunicativo desde a infância ressalta a importância de não nos limitarmos à imposição de idade. Segundo Maria Cristina Costa, da coordenação da Especialização em Educomunicação, da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP), é uma maneira de facilitar que as crianças entendam a cultura midiática e distinguam mito de realidade. 

Nos dias de hoje, em que existe a opção de capacitação no ensino superior (licenciatura e especialização), que começou desde 2011, também há a necessidade de transposição de barreiras. Entre elas, o reconhecimento da existência do profissional a partir de políticas públicas, em abertura de editais, como de o próprio educomunicador ter o comprometimento no empoderamento do cidadão,... com o viés dos direitos humanos. Essas são algumas das conclusões de Roseli Fígaro, coordenadora da Licenciatura em Educom, da ECA/USP. 

Ambas participaram do painel Formação Superior em Educomunicação, durante o IV Encontro Brasileiro de Educomunicação, no dia 26, em São Paulo.

Professora Josete Zimmer apresenta trabalho no IV Encontro Educom


A professora Josete Zimmer apresentou o trabalho "A criação do blog interdisciplinar para uma escola municipal de São Paulo" no IV Encontro Brasileiro de Educomunicação, que aconteceu entre os dias 25 e 27 de outubro, em São Paulo.

Para ver o trabalho completo, acesse o link: http://www.slideshare.net/josete/josete-educom

Imersão educomunicativa

A Imersão Educomunicativa é uma proposta da disciplina, Atividades Acadêmicas, Científicas e Culturais do curso de Licenciatura em Educomunicação da ECA/USP apresentada no IV Encontro Brasileiro de Educomunicação e busca proporcionar um momento de vivência, reflexão e ação a partir do acompanhamento de projetos que atuam na interface: comunicação e educação. Busca identificar aspectos teórico-metodológicos que contribuem para a formação do educomunicador. Há dois tipos de Imersão: as Internas, caracterizadas por serem oferecidas pelos próprios alunos e, as Externas, que abrangem oportunidades em instituições que desenvolvem ações relacionadas à educomunicação. O painel foi apresentado pelos alunos de graduação Beatriz Truffi Alves e Mauricio da Silva. Assista flash da palestra no vídeo abaixo.

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Filmagem: Nathalia Aparecida Jorge Lima
Edição e Publicação: Kathelen Silva de Moraes
Imprensa Jovem - EMEFs Anna Lamberga  e Dias Gomes

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Pesquisadores apresentam reflexões sobre o campo da educomunicação


Por: Vânia Correia (Viração – SP), Ana Paula (Bem TV – RJ) e Willian Braga (ES – Renajoc e Agência Jovem de Notícias)
Nesse primeiro dia (25/10/2012) do IV Encontro Brasileiro de Educomunicação, foram realizados oito painéis na parte da tarde que relacionavam experiências educomunicativas pelo país. Um desses painéis tratou sobre a reflexão do campo da educomunicação a partir de pesquisas acadêmicas, intitulada de “Reflexão Epistemológica Sobre o Campo da Educomunicação”.
Participaram dessa mesa, investigadores da área como: Rose Mara Pinheiro apresentando a pesquisa “Educomunicação nos centros de pesquisa do país: um mapeamento das teses e dissertações disponíveis no banco da Capes”; Juliana Winkel com a pesquisa “Revista Comunicação & Educação – a emergência de uma interface entre duas áreas do conhecimento”; Eduardo Monteiro com a pesquisa “Interface comunicação – aprendizagem: condições para a gestão da Educomunicação” e Mônica Villanueva com a pesquisa “La relación de comunicación y educación desde la perspectiva de la Universidad Tecnológica de Pereira, Colômbia”.
Rose Mara Pinheiro apresentou um mapeamento sobre o tema da educomunicação representado nos trabalhos acadêmicos entre 1998 a 2011 disponíveis no banco de teses da Capes. O objetivo era verificar como a educomunicação que começa como prática, fora da academia, é legitimada também nela. Comparando o número de textos sobre os temas de inter-relação educação e comunicação, revela-se um aumento significativo nos anos 80 até os dias atuais. Em 1998, foi a primeira vez que aparece o termo educomunicação em uma tese. Esse texto foi da doutora Liana Gottieb, sob orientação do Prof. Dr. Ismar Soares, entitulado “Mafalda vai à escola”.
Esta pesquisa ainda revela que é na região sudeste a maior quantidade de produção de teses e/ou dissertações, e a região norte a menor quantidade de pesquisas. A concentração de trabalhos por área de conhecimento é de 49% na comunicação e 35% na educação, o que revela ainda o pensamento da educomunicação como um campo da comunicação. E isso é confirmado quando vemos em primeiro lugar (47% desses trabalhos) o conceito de educomunicação usado como mediação tecnológica (suporte) e, apenas 22% dos trabalhos o conceito trabalhado é a educação para a comunicação.
Juliana Winkel Marques dos Santos apresentou sua pesquisa de mestrado sobre a “Revista Comunicação & Educação – a emergência de uma interface entre duas áreas do conhecimento. Ela trouxe o histórico e objetivos da publicação que nasceu no Curso de Gestão da Comunicação do CCA/USP e hoje faz parte da bibliografia de formação dos alunos da licenciatura em educomunicação.
A metodologia dessa pesquisa, segundo Juliana “foi de uma observação direta das edições da primeira década da revista”, que aconteceu entre 1994 a 2004.
Eduardo Monteiro realizou sua pesquisa entre 2008 a 2012 com objetivo de analisar os fatores de tangibilidade e possíveis indicadores para a gestão de projetos e empreendimentos educativos envolvendo novas mídias e intervenções de escala social. Sua principal pergunta de investigação foi “pessoas praticando mais e melhor comunicação, constroem mais e melhores aprendizagens?” Isso surgiu a partir de uma reflexão sobre a prática educomunicativa e do que o próprio pesquisador atuava.
-        Eu ficava me perguntando se o que a gente faz estava a serviço para o que nos propomos, disse Eduardo.
Após falar sobre a importância da tangibilidade dos efeitos esperados nas práticas educomunicativas e de explicar o método de pesquisa, ele tranquilizou a platéia com os resultados que revelam haver sim uma relação entre melhor comunicação versus melhor aprendizagem, no entanto, alerta que essa é uma questão ampla que merece ainda ser muito estudada.
E, por fim, a colombiana Mónica Villanueva Urrea apresentou experiências sobre a relação da comunicação e educação na Universidade Tecnológica de Pereira na Colombia. Ela apontou autores teóricos que contribuem com essa relação da comunicação e educação na América Latina, como: Martín Barbero, Célestin Freinet, Ismar Soares, Paulo Freire, entre outros.

Painel aborda Gestão da Comunicação em Espaço Públicos de Educação


Por: Reynaldo de Azevedo Gosmão (MG), da Renajoc e da Agência Jovem de Notícias
Projetos de lei, programas educomunicativos e suas perspectivas, politicas públicas, mercado de trabalho, entre outros temas foram apresentados no painel “Gestão da Comunicação em Espaço Públicos de Educação” do IV Encontro Brasileiro de Educomunicação, que contou com a participação de Silene de Araújo Lourenço, professora da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo – ECA/USP; Daniele Próspero, mestranda também da USP; Kelly Victor, do projeto Imprensa Jovem; Delcimar Bessa, do Grupo Mogi News de Comunicação e Marcelo Augusto da rede pública de ensino.
Durante todo o painel foi retratado a atualização da lei de educom, trazendo novas possibilidades de ampliar e respeitar as múltiplas linguagens como rádio, vídeos, textos e fotos. 
O destaque foi o projeto Nas Ondas do Rádio, que é realizado no município de São Paulo em escolas públicas de toda a cidade. 
Os participantes trouxeram também questionamentos sobre como o sistema público realiza os projetos e viabiliza as estruturas dentro das escolas. “Trabalhar o tema educomunicação é paradoxal e novo nas escolas, mas temos que mudar o modelo e o sistema de escola” disse Silene de Araújo.
No mesmo espaço também foi apresentado o programa Mais Educação do Ministério da Educação, que tem como proposta promover mudanças no processo de ensino e aprendizagem, melhorando o desempenho dos alunos no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica – IDEB e que prevê a educomunicação como uma das atividades a ser exercida nas escolas.

Educomunicação Sociambiental


Por Jéssica Delcarro (ES), da Renajoc e da Agência Jovem de Notícias | Imagem: Luiz Altieri
Educomunicação socioambiental foi tema de um painel na tarde desta sexta-feira, 26/10/2012, durante o IV Encontro Brasileiro de Educomunicação, que aconteceu em São Paulo.
Experiências educomunicativas em áreas de preservação ambiental deram a tônica das exposições que revelaram conquistas e problemas no decorrer dos processos locais.
Débora Menezes foi uma das expositoras. Ela é educomunicadora da Parque Nacional do Pau Brasil, onde a educomunicação auxiliou os moradores da região – de crianças a idosos – a compreender melhor a função do parque e a compreender melhor a necessidade de gestão participativa para o Parque.
A utilização de música em oficinas realizadas nas comunidades tradicionais e assentamentos rurais, na Amazônia, foi apresentada pela pesquisadora da EMBRAPA Vânia Beatriz Vasconcelos de Oliveira. “Por meio da reflexão sobre as letras das músicas podemos discutir e analisar questões ambientais”.
“Com esse trabalho foi possível promover a difusão de soluções tecnológicas para a conservação ambiental e estimular a ação cidadão por meio dos moradores para o desenvolvimento sustentável”, complementou Vânia Beatriz.
Pesquisadora do Núcleo de Comunicação e Educação/USP, Silene de Araújo Gomes Lourenço, realizou uma pesquisa que buscava refletir como a Educomunicação pode contribuir para o encontro do “eu – tu”, construindo espaços de espontaneidade e relações de afeto entre os seres humanos e desses com o mundo à sua volta.
Educomunicação, afeto e meio ambiente foi uma experiência adquirida por meio do trabalho desenvolvido na Secretaria de Meio Ambiente de São José dos Campos, trabalhando questões ambientais por meio de práticas educomunicativas.

Educomunicação e saúde


Por Carlos Eduardo Ferreira e Larissa Gomes, da Agência Jovem de Notícias, Gisele Gomes e Willian Braga, da RENAJOC, e Eric Silva, da Redação
Educomunicação e saúde foram os temas abordados no 12° painel do segundo dia (26/10/2012) do IV Encontro Brasileiro de Educomunicação, que acontece em São Paulo (SP). A mesa de oradores contou com a presença da enfermeira Elda de Oliveira, o coordenador da assessoria de imprensa do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Hércules Barros; a representante do projeto desenvolvido pelo Centro Educacional Marista Irmão Acácio de Londrina (PR), Juliana Mainardi e a estudante de nutrição da USP, Géssica Sponchiado.
A roda de apresentações iniciou com Elda de Oliveira, que apresentou os artigos utilizados na defesa de sua tese: “A Contribuição da Educomunicação para a Educação sobre Drogas”, que abordou a influência negativa das práticas midiáticas sobre os jovens. Ela comentou também que as campanhas de conscientização só chegarão ao público alvo se ficarem no ar por muito tempo.
Porém, ela apontou a preocupação dos autores sobre a forma e o impacto destas mensagens sobre a juventude, já que não são passadas de forma positivamente e foi onde a educomunicação entrou, pois proporcionou a possibilidade dos jovens a liberdade de falar o que é deles, a partir das próprias experiências.
Após o relato de Elda, Hércules Barros falou sobre sua experiência em Botsuana, numa campanha de prevenção contra aids. A ideia principal da campanha era conscientizar a população do país africano das formas de se contrair o vírus. A princípio, o governo botsuano pensou numa campanha produzida pela saúde de lá. A partir de uma proposta educomunicativa, Hércules, juntamente com a jornalista Maria Rehder, propuseram o envolvimento de outros setores e populações estratégicas. O objetivo era construir uma campanha em coletividade e fazer valer a voz dos seguimentos para qual a campanha foi pensada.
Durante a elaboração de um plano de prevenção à aids voltado a caminhoneiros em Botsuana, os técnicos do Brasil presentes na oficina sugeriram a busca de parceiros que ajudassem na adesão dos motoristas à estratégia.
Empenhados em promover mudanças na categoria, os participantes do evento propuseram visitas às profissionais do sexo na periferia de Gaborone. Essas mulheres moram na área onde se hospedam os motoristas de diversos países da África em trânsito pela capital de Botsuana, que têm maior contato com os caminhoneiros.
A parceria pôde beneficiar, inclusive, as próprias profissionais do sexo, pois a rotatividade de parceiros e o sexo sem camisinha deixam a população local vulnerável à aids.
Géssica Sponchiado, que cursa nutrição, contou como a utilização da educomunicação pode causar reflexões na sociedade em relação à alimentação e a expansão dessa informação. Segundo ela, a ideia da educomunicação surgiu a partir de um projeto de aula, que utilizava como tema “Educação Alimentar’’, quando ao lado de seu grupo escolar, buscou um modo diferente de passar essa informação. A pesquisa do grupo de Géssica surgiu com o conhecimento do dado que revela que 49% da população adulta brasileira está acima do peso.
A atitude alimentar da população brasileira vem sendo influenciadas de modo negativo pela mídia, criando uma construção histórica, onde a própria sociedade vem trocando seus alimentos tradicionais, como arroz e feijão, por produtos industrializados. Por esse motivo, Géssica e seu grupo entenderam que a educomunicação é a principal chave para restabelecer a boa alimentação brasileira.
A representante do grupo Marista finalizou as rodadas de apresentações, compartilhando a experiência dos educomunicadores que estavam em formação, e apresentou o documentário feito pelos educandos mostrando o comportamento da população do norte de Londrina em relação à saúde e a falta de conhecimento da comunidade quanto o significado da sigla “SUS”, o Sistema Único de Saúde. O vídeo destacou também a precariedade de médicos nas unidades hospitalares, enfatizando o comportamento da sociedade quanto a este problema.

Painel sobre Educação para a Comunicação


Por Jéssica Delcarro (ES), Eric Silva (SP), Rodrigo dos Santos (SP) e Saulo Fernandes (SP), da Renajoc
Uma experiência sobre criação de cineclube dentro de escola pública abriu o Painel sobre "Educação para a comunicação", que aconteceu na tarde de ontem (26/10/2012), durante o IV Encontro Brasileiro de Educomunicação. A professora Raquel Foresti compartilhou o processo de criação e fortalecimento do Cine Leoner. “Não tenho muita experiência na técnica de audiovisual, mas nas reuniões e discussão sobre o vídeo exibido, sempre aprendo com os alunos”, afirma.“Os alunos apropriaram-se desse espaço e se tornam capazes de trabalhar em suas próprias criações audiovisuais”, complementa Raquel.
Os bolsistas Paulo Ricardo de Carvalho do Rosário e Graciele Cardoso Lukasak, orientandos do Professor Fábio de Carvalho Messa, identificaram e analisaram algumas ocorrências semióticas presentes em sequências fotográficas realizadas nas comunidades de Ilha Rasa e Ilha das Peças, durante as atividades do Grupo PIBID Mídia-Educação nas Escolas da Ilhas de Guaraqueçaba (PR). Segundo o professor Fábio Messa, “por meio desse trabalho identificamos os problemas que afetam as ilhas, que foram levantados e pontuados junto com os alunos da escola”.
Ainda durante o painel, o doutorando em comunicação e semiótica da PUC/SP, Adriano Miranda Vasconcellos, falou sobre a utilização de cenas de telenovela entre a mediação e a integração, como forma de produção de conhecimento. 

A mestrada da ECA/USP, Silvia Terezinha Torreglossa, levantou uma reflexão sobre como a telenovela brasileira tem incluído em suas tramas cenas de apelo chamando-as de ação socioeducativa. “Cenas de telenovelas com finalidade educomunicativa expõem e materializam problemas sociais a partir de uma imagem espetacular e densamente midiatizada ao passo que se multiplica de forma espontânea nos meios digitais.
O fim do painel foi marcado com uma grande participação do público presente, por meio de uma intensa troca de experiências.

Práticas educativas com crianças, adolescentes, jovens e idosos é tema de painel sobre Pedagogia da Comunicação


Por: Jéssica Delcarro (ES), Eric Silva (SP), Rodrigo Santos (SP), Saulo Ferreira (SP), da Renajoc e da Agência Jovem de Notícias
A tarde do primeiro dia do IV Congresso Brasileiro de Educomunicação (25/10/2012) foi marcada pela primeira rodada de painéis. Um dos temas abordados foi a Pedagogia da Comunicação, que teve o objetivo de mostrar iniciativas práticas dessa área.
A mestranda Monique Torres de Oliveira compartilhou experiências adquiridas na sua pesquisa realizada na ONG AIC – Associação Imagem Comunitária de Belo Horizonte, abordando o processo das produções midiáticas populares juvenis e a comunicação comunitária.
Usando a metodologia do “cala boca já morreu” – onde a educomunicação é encarada como educação pelos meios de comunicação e que busca desencadear processos de autoria como condição para a constituição de sujeito autônomo, a cineasta Marta Kawamura Gonçalves mostrou o seu trabalho com a produção audiovisual em um projeto no Centro de Referencia dos Idosos Vera Lucia Pilla, em São Carlos, interior de São Paulo, que envolveu cinco mulheres idosas, levando as mesmas ao acesso e à produção de conteúdos comunicativos. “Vivemos em um país que está acostumado a valorizar e priorizar crianças e adolescentes, para as idosas a educomunicação também é um  aprendizado novo, uma oportunidade de vivenciar situações e desafios novos”, disse Marta.
Já o jornalista Cassios Clei Pinheiro Nogueira e o psicólogo Fredy Matos apresentaram o trabalho com educomunicação na produção audiovisual noGAMT – Grupo de Assessoria e Mobilização de Talentos – NDC – Núcleo Diaporama de Comunicação. “Trabalhamos para promover o protagonismo juvenil, onde os jovens se encontrem e se realizem pessoalmente na produção audiovisual”, afirma Cassios.

IV Encontro Brasileiro de Educomunicação começa com premiação de iniciativas na área


Por Jéssica Delcarro (ES) e Reynaldo de Azevedo Gosmão (MG), da Renajoc e da Agência Jovem de Notícias

Começou na manhã dessa quinta-feira (25/10/2012) o IV Encontro Brasileiro de Educomunicação, no auditório do SEPAC Editora Paulina, o evento pretende proporcionar a troca de experiências entre os participantes e mostrar pesquisas abordando os conceitos de educomunicação realizadas na África, América Latina e, em especial, no Brasil.
Durante a solenidade de abertura, com cerimonial conduzido pelas adolescentes Jéssica Bruna de Souza e Andressa Melo, do Projeto nas Ondas do Rádio, foi dado as boas vindas aos participantes pela diretora do Serviço à Pastoral da Comunicação (Sepac), Helena Corazza, pela Profa. Dra. da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo, Roseli Fígaro e pelo coordenador geral do evento, Prof. Dr. Ismar de Oliveira Soares. Para ele a troca de experiência será o ponto alto do Encontro. “O evento tem como principal perspectiva articular redes entre quem faz e pesquisa a educomunicação”.
Antes do início dos trabalhos, aconteceu a cerimônia de entrega do Prêmio Mariazinha Fusari de Educomunicação, que tem como objetivo valorizar iniciativas e pessoas que desenvolvem processos educomunicativos.
Foram homenageados diversos educadores e professores brasileiros e, pela primeira vez, também uma figura internacional, o pesquisador Roberto Giannatelli, doutor e sacerdote salesiano, fundador da Faculdade de Comunicação da Universidade Pontifícia Salesiana de Roma, da qual foi Reitor  e um dos criadores do MED – Associação Italiana de Educação para a Mídia e a Comunicação, do qual era presidente de honra.
O coordenador do projeto Mídias Educação, Richard Romancini, um dos homenageados, comemorou a premiação. “Mais que uma importância individual, receber o prêmio é o reconhecimento do trabalho”.

IV Encontro Brasileiro de Educomunicação reúne apaixonados por um mesmo sonho


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Paixão. Essa é a melhor expressão para descrever o que vi e senti durante o IV Encontro Brasileiro de Educomunicação, realizado nesta semana em São Paulo. Cerca de 300 educomunicadores de diferentes partes do Brasil reunidos para contar, escutar e trocar experiências que realizam ou participam em ambientes educativos de suas cidades.
Apesar da complexidade que ainda permeia o debate sobre o conceito da Educomunicação pelas dúvidas e barreiras impostas por muitas escolas, pela falta de entendimento do MEC ou pelo distanciamento por parte de um número ainda grande de educadores, os trabalhos apresentados durante os Painéis Temáticos mostraram como pode ser realmente possível fazer Educomunicação – basta ter apoio, vontade, entusiasmo e paixão especial pelo processo.
O brilho no olhar de todos que ali estavam passava a sensação de que compartilhavam o mesmo sonho. Tudo isso reforça o que realmente vale a pena nesse desafio profissional, que é muito mais o diálogo e a vivência do cotidiano das práticas educomunicativas com os protagonistas dessas ações – crianças e adolescentes – do que a técnica e o produto de comunicação em si, seja um vídeo, blog, revista, jornal, conteúdo para redes sociais, rádio, fanzine, etc. Pois para se chegar à finalização desse produto, além da instrumentalização que a ferramenta exige, os alunos despertam para a vida de maneira muito peculiar.
Desenvolvem uma leitura crítica do mundo, especialmente dos meios de comunicação, afinal, passam de apenas consumidores da informação para produtores. Despertam para novas formas na busca do conhecimento, aprimoram o domínio da linguagem e da capacidade de se comunicarem, fazem um link entre o mundo da escola e os outros mundos - do trabalho, da cultura, do esporte e da vida adulta, exercendo e produzindo a interdisciplinaridade.
Abertura
A Mesa Redonda que abriu o evento contou com verdadeiros ícones da Comunicação e precursores da Educacomunicação: o professor do Núcleo de Comunicação e Educação da Universidade de São Paulo, Ismar de Oliveira Soares, o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Muniz Sodré, a presidente do Comitê Gestor da Internet no Brasil, Tatiana Jereissati e o coordenador do Núcleo Cultura Educação da Fundação Padre Anchieta, Fernando José Almeida, além da mediação de Maria Immacolata Lopes.
A Mesa abordou o tema “Educomunicação: protagonismos sem fronteiras”, marcado pelo debate sobre cultura, tecnologias da informação e o papel da educomunicação nos espaços educativos. Para Ismar, a educomunicação está em busca de novos paradigmas, pois não é necessariamente didática. “Ela não é fechada, está sempre aberta para novas formas de criar, pois com ela temos condições de dialogar”, explica o professor. Sodré fechou sua fala colocando na mesa um convite à reflexão. Para ele, a educomunicação é um pretexto histórico para reformular e estruturar a noção central de cultura por meio da diversidade, mas não apenas no campo da tecnologia, mas em uma nova lógica, a da sensibilidade. “Educar para a diversidade simbólica do mundo acontece somente pelo sensível”.
>> Patrícia Melo é jornalista desde 2001 e há sete anos atua em benefício da Educação por meio da Comunicação. Hoje, também é empreendedora, com a Presença – Comunicação Educacional, que tem como objetivo a produção de textos, entrevistas, reportagens e projetos comunicacionais direcionados especialmente ao universo educacional. Dessa forma, contribui para um diálogo mais consistente e criativo entre a Escola e a Família.

Propiciar um espaço, debater conceito e reunir membros, em ações entre a comunicação e a educação

A turma do Imprensa Jovem acompanhou os três dias do IV Encontro Brasileiro de Educomunicação, em São Paulo, que aconteceu entre os dias 25 e 27 de outubro. Durante os três dias os jovens acompanharam os painéis de debates e a reunião aberta da ABPEducom.
Abaixo, compartilhamos algumas de suas impressões, publicadas no blog "No ar, Imprensa Jovem!" (http://noarimprensajovem.blogspot.com.br/



Painel Pedagogia da Comunicação II: Douglas M. Gregório, fala sobre Objetos de Aprendizagem na Educação, tecnologia e a educação sobre mídias tradicionais eletrônicas e pré-digirais e a comunicação com o universo, sobre as coisas reusáveis interativas e acessíveis.

Eliana Nagamini apresenta a transposição da Linguagem Audiovisual, que fala sobre a língua portuguesa literária.
O objetivo do projeto é a produção de textos e possibilidade de editar e publicar os vídeos.
Envolve também Telenovelas, desenhos, Telejornais e Jornal impresso.

Painel Educomunicação e Saúde: A aluna Géssica Sponchiado, falou sobre Nutrição, e a alimentação no Brasil, passou o vídeo sobre lanches saudáveis para levar  a escola.
Sugeriu utilizar o Funk para incentiva os jovens a comer alimentos saudáveis, também foram discutidos  sobre a Educomunicação.
Contamos com a presença de Hércules Barros, Elda de Oliveira e Cássia Baldini Soares que esclareceram a atuação conjunta entre Brasil e Botsuana que faz parte de um modelo de cooperação internacional que rompe com a pratica tradicional assistencialista unilateral. A formação em educomunicação desenvolve a mudança de comportamento em HIV/AID e Drogas, propondo o ecossistema comunicativo e ouvir o que os jovens têm a dizer a fim de instrumentalizá-los chegando ao macrossocial através de politicas públicas.




Reportagem: Alunas Repórteres Laura Lopes e Stefanny  Leticia  
Fotos: Alunos Repórteres Ademilson e Diego Costa 
Filmagem: Aluno Repórter Higor Castro 
Edição: Aluna Repórter Laura Lopes 
Publicação: Beatriz Ribeiro 
Imprensa Jovem Dias Gomes e Anna Lamberga
POIES Juraci,  Natanael  e Paulo.

Educomunicação é alternativa para integrar a cultura africana no currículo escolar


O site NET Educação esteve no IV Encontro Brasileiro de Educomunicação. Compartilhamos abaixo matéria publicada por Lúcia Caetano  sobre o painel "Diversidade, etnia e educomunicação" e a entrevista que fez com a pesquisadora da ECA/USP Paola Prandini.
A Educomunicação tem grande potencial para se tornar um caminho para a efetiva aplicação nas salas de aula da Lei Federal nº 10.639, de 2003, que instituiu como obrigatório o ensino da história e cultura africana e afrobrasileira nos currículos dos ensinos fundamental e médio das escolas brasileiras.
Essa foi a essência da apresentação da integrante da consultoria AfroeducAção, Paola Prandini, ocorrida no painel “Diversidade, etnia e educomunicação”, no IV Encontro Brasileiro de Educomunicação, que aconteceu até sábado (27/10), em São Paulo (SP).
Para Paola, a escola não espelha a diversidade da identidade brasileira. "Vivemos num país majoritariamente de pessoas negras, e não vemos refletida dentro da escola essa identidade negra. Esse é um tema que é tratado nas nossas escolas, apenas na semana da consciência negra", disse.
Segundo ela, a grande dificuldade dos professores é ter confiança para trabalhar esta temática em sala de aula. Ela cita várias atividades pedagógicas que podem ser utilizadas para abordar esse assunto, em especial aquelas ligadas ao cinema ou à música, e para isso sugere o uso de discografias e filmografias específicas sobre a temática da afrobrasilidade.

Debate durante o painel “Diversidade, etnia e educomunicação”
Nesse sentido, a Educomunicação é um conceito que deve ser posto em prática nas escolas. "A Educomunicação é um convite à dialogicidade, ao protagonismo, à liberdade de expressão, e deve ser trabalhado com o objetivo de levar a temática da cultura africana às escolas e proporcionar a implementação da Lei.”
Após a palestra, Paola concedeu uma entrevista exclusiva ao NET Educação. Confira abaixo:
NET Educação – O que é preciso para que o professor aplique a Lei 10.639/03 em sala de aula?
Paola Prandini – É preciso que ele se destitua das crenças que traz, que se desprenda delas, para poder conhecer e se deixar levar pelo outro.
NET Educação – E como a educomunicação pode ajudá-lo?
Paola – A educomunicação permite que a gente pare e pise no chão do outro, possibilita a cultura do ouvir. A África é um berço de oralidade, a cultura africana é a do ouvir. Estar aberto para ouvir o outro é fundamental.
NET Educação – Que tipo de conteúdo o professor conta em sala de aula para ajudá-lo?
Paola – Há filmes que trabalham temáticas relacionadas a racismo, família, histórias de vida. Também é muito positivo incentivar as rodas de conversa – e eu digo 'rodas' mesmo, não aquele esquema militar de um ficar olhando para a nuca do outro, mas rodas mesmo. O jovem pode produzir sua própria história de vida, e o professor pode atuar como facilitador, como mediador de indivíduos.
NET Educação – E há espaço para isso em sala de aula?
Paola – Sim, se o professor for um 'guerrilheiro'. Dá sim para estabelecer a troca, pelo respeito.

"Esse é um tema que é tratado nas nossas escolas,
apenas na semana da consciência negra."



terça-feira, 2 de outubro de 2012

Presidente convida associados para Assembleia da ABPEducom


Prezados associados da ABPEducom,

Nossa assembleia de 27 de outubro será constituída de dois momentos: 

1) Mesa redonda às 9h, aberta a todos os interessados em conhecer a Associação, em que se discutirá o papel de uma instituição como a que estamos criando;

2) Assembleia propriamente dita, às 10h30, que terá em sua agenda a definição de um programa de ação, aprovação de novos sócios e a eleição da nova diretoria.

Pois bem, precisamos pensar nesses três temas, preparando nossas contribuições.

No que diz respeito a novos associados, seria muito interessante convidarmos educomunicadores reconhecidos por suas ações e seus compromissos com a causa. A Diretoria provisória reconhece que necessitamos definir uma meta de número de associados e trabalharmos conjuntamente para atingir está meta!

É importante que os colegas tomem conhecimento do programa do IV Encontro (que começa no dia 25 de outubro). É só consultar o site: www.cca.eca.usp.br. Vocês verão que temos 4 mesas redondas, 20 painéis e mais de 70 papers, selecionados de 90 ofertas.

Caso o associado não possa se inscrever no IV Encontro, venha, de todos os modos, para a Assembleia no sábado. Para tanto, basta informar a secretaria da ABPEducom, sem necessidade de pagar a inscrição.

Sejam todos bem vindos!

Prof. Ismar

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