terça-feira, 30 de outubro de 2012

Pesquisadores apresentam reflexões sobre o campo da educomunicação


Por: Vânia Correia (Viração – SP), Ana Paula (Bem TV – RJ) e Willian Braga (ES – Renajoc e Agência Jovem de Notícias)
Nesse primeiro dia (25/10/2012) do IV Encontro Brasileiro de Educomunicação, foram realizados oito painéis na parte da tarde que relacionavam experiências educomunicativas pelo país. Um desses painéis tratou sobre a reflexão do campo da educomunicação a partir de pesquisas acadêmicas, intitulada de “Reflexão Epistemológica Sobre o Campo da Educomunicação”.
Participaram dessa mesa, investigadores da área como: Rose Mara Pinheiro apresentando a pesquisa “Educomunicação nos centros de pesquisa do país: um mapeamento das teses e dissertações disponíveis no banco da Capes”; Juliana Winkel com a pesquisa “Revista Comunicação & Educação – a emergência de uma interface entre duas áreas do conhecimento”; Eduardo Monteiro com a pesquisa “Interface comunicação – aprendizagem: condições para a gestão da Educomunicação” e Mônica Villanueva com a pesquisa “La relación de comunicación y educación desde la perspectiva de la Universidad Tecnológica de Pereira, Colômbia”.
Rose Mara Pinheiro apresentou um mapeamento sobre o tema da educomunicação representado nos trabalhos acadêmicos entre 1998 a 2011 disponíveis no banco de teses da Capes. O objetivo era verificar como a educomunicação que começa como prática, fora da academia, é legitimada também nela. Comparando o número de textos sobre os temas de inter-relação educação e comunicação, revela-se um aumento significativo nos anos 80 até os dias atuais. Em 1998, foi a primeira vez que aparece o termo educomunicação em uma tese. Esse texto foi da doutora Liana Gottieb, sob orientação do Prof. Dr. Ismar Soares, entitulado “Mafalda vai à escola”.
Esta pesquisa ainda revela que é na região sudeste a maior quantidade de produção de teses e/ou dissertações, e a região norte a menor quantidade de pesquisas. A concentração de trabalhos por área de conhecimento é de 49% na comunicação e 35% na educação, o que revela ainda o pensamento da educomunicação como um campo da comunicação. E isso é confirmado quando vemos em primeiro lugar (47% desses trabalhos) o conceito de educomunicação usado como mediação tecnológica (suporte) e, apenas 22% dos trabalhos o conceito trabalhado é a educação para a comunicação.
Juliana Winkel Marques dos Santos apresentou sua pesquisa de mestrado sobre a “Revista Comunicação & Educação – a emergência de uma interface entre duas áreas do conhecimento. Ela trouxe o histórico e objetivos da publicação que nasceu no Curso de Gestão da Comunicação do CCA/USP e hoje faz parte da bibliografia de formação dos alunos da licenciatura em educomunicação.
A metodologia dessa pesquisa, segundo Juliana “foi de uma observação direta das edições da primeira década da revista”, que aconteceu entre 1994 a 2004.
Eduardo Monteiro realizou sua pesquisa entre 2008 a 2012 com objetivo de analisar os fatores de tangibilidade e possíveis indicadores para a gestão de projetos e empreendimentos educativos envolvendo novas mídias e intervenções de escala social. Sua principal pergunta de investigação foi “pessoas praticando mais e melhor comunicação, constroem mais e melhores aprendizagens?” Isso surgiu a partir de uma reflexão sobre a prática educomunicativa e do que o próprio pesquisador atuava.
-        Eu ficava me perguntando se o que a gente faz estava a serviço para o que nos propomos, disse Eduardo.
Após falar sobre a importância da tangibilidade dos efeitos esperados nas práticas educomunicativas e de explicar o método de pesquisa, ele tranquilizou a platéia com os resultados que revelam haver sim uma relação entre melhor comunicação versus melhor aprendizagem, no entanto, alerta que essa é uma questão ampla que merece ainda ser muito estudada.
E, por fim, a colombiana Mónica Villanueva Urrea apresentou experiências sobre a relação da comunicação e educação na Universidade Tecnológica de Pereira na Colombia. Ela apontou autores teóricos que contribuem com essa relação da comunicação e educação na América Latina, como: Martín Barbero, Célestin Freinet, Ismar Soares, Paulo Freire, entre outros.

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