quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Intercom celebra os 50 anos de Inter Mirifica



No dia 4 de dezembro de 1963 – há exatos 50 anos – era promulgado, em Roma, pelo Papa Paulo VI, o Decreto Conciliar intitulado INTER MIRIFICA, versando sobre os meios de comunicação social. Para comemorar a data, a Intercom realizou, no sábado, 30 de novembro de 2013, entre as 9 e as 12h30, um encontro, em sua sede nacional, à Rua Joaquim Antunes, 711, Pinheiros, capital paulista. 

O evento, articulado por Rônia Barbosa, Assistente Administrativa da Cátedra Unesco/Metodista de Comunicação, contou entre os palestrantes, com o Prof. Dr. José Marques de Melo, Presidente de Honra da Intercom, o Prof. Roberto Joaquim, da FMSP, Helena Corazza, do SEPAC, e Ismar de Oliveira Soares, da ECA/USP. 



Comunicação , “de massa” ou de “social”

Para o Prof. Marques de Melo, a importância do Decreto Inter Mirifica transcendeu o âmbito da Igreja Católica. Explicou, em sua explanação, que no mesmo período em que o documento era assinado pelo papa, articulava-se, na Universidade de Brasília, a criação de uma graduação na área da Comunicação que, num primeiro momento, deveria denominar-se Faculdade de Comunicação de Massa, seguindo a influência dos estudos norte-americanos sobre Mass Media. 

No entanto, o golpe militar impediu que a expressão “de massa” fosse usada para designar a nova instituição. O fato levou à adoção, por Brasília e por outras universidades do pais, da expressão “Comunicação Social”, que havia sido empregada, pela primeira vez, pela Inter Mirifica, conferindo ao termo o sentido ético de um ação a serviço da comunidade humana. 


História 

Coube ao Prof. Ismar Soares, autor do livro do Santo Ofício à Libertação contextualizar a produção e aprovação do texto pelo Concílio Vaticano II, resgatando um longo período de desconfiança da Igreja em relação ao mundo da imprensa, do rádio, do cinema e da televisão. O estudioso apresentou, na sequência, os benefícios trazidos pelo documento, incluindo a perspectiva que este criou para que a comunicação se viesse a tornar-se um dos temas mais presentes na ação pastoral da Igreja, em todo o mundo. 

Na linha do tempo, lembrou o documento Communio et Progressio, que serviu como um manual de procedimento para os comunicadores, especialmente no âmbito da ética e a instrução pastoral Aetatis Novae, as duas do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais, que, sob influência latino-americana, introduziu o mandato para que a comunicação popular fosse reconhecida, passando a fazer parte dos planejamentos pastorais no âmbito local. 

Coube a Helena Corazza, do SEPAC, falar sobre a comunicação na pastoral da Igreja Católica no Brasil. Deu destaque ao papel das organizações voltadas para o campo da comunicação, como a UCBC – União Cristã Brasileira de Comunicação Social, que nos anos de 1970 a 1990 contribuiu com a articulação do mundo leigo em torno ao tema da comunicação. Explicou que na atualidade os comunicadores católicos de todo o mundo reúnem-se sob a coordenação de uma organização denominada SIGNIS, por ela presidida, no Brasil. 


Pesquisa 

O Prof. Roberto Joaquim de Oliveira analisou o tema do encontro sob a perspectiva da pesquisa acadêmica. Tomou como referência o livro do Prof. Waldemar Kunsch, resultante de sua tese de mestrado, na UMSP, com o título O Verbo se fez Palavra, e que apresenta o resultado das investigações sobre o tema, ocorridas no Brasil na segunda metade do século XX. 

Uma das conclusões a que chegou aponta para o fato de que mais da metade dos 34 trabalhos defendidos em centros de pós-graduação, tiveram como origem instituições não confessionais católicas. No caso a ECA/USP e a Metodista de são Bernardo do Campo apresentam-se como campeãs nesta área de pesquisa acadêmica, no Brasil.

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