quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Cooperação internacional e educomunicação: o caso de Guiné Bissau

Língua e identidade: fios que se entrelaçam mundo afora", escrito por Lilian Romão e publicado no site Plataforma do Letramento, do CENPEC, traz a experiência desenvolvida pela conselheira (CCD) da ABPEducom, Maria Rehder, durante sua estadia em Guiné Bissau, como funcionária das Nações Unidas.


Veja o texto da reportagem:

Língua e identidade: fios que se entrelaçam mundo afora

Outra experiência que surge da cooperação e do intercâmbio linguístico é a da jornalista e educomunicadora Maria Rehder, que morou na Guiné-Bissau por 18 meses, entre 2010 e 2012, assumindo o cargo de oficial de comunicação do Escritório do Coordenador-Residente do Sistema das Nações Unidas na Guiné-Bissau. Sua monografia, defendida em setembro de 2013 no European Master Degree in Human Rights and Democratisation em Veneza, na Itália, teve como base a experiência vivida nesse período.

Maria Rehder adaptou o curso Mídias na Educação (programa de educação a distância para formação continuada de professores e uso pedagógico das diferentes tecnologias da informação e da comunicação) para a realidade da Guiné-Bissau, em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o Núcleo de Comunicação e Educação da Universidade de São Paulo (USP), com o Programa de Voluntários das Nações Unidas naquele país e, principalmente, com o apoio da Embaixada do Brasil. “Foram seis sábados presenciais de curso realizados no Telecentro da Embaixada do Brasil em Bissau e, por meio da plataforma virtual e-Proinfo, os cursistas guineenses fizeram o módulo rádio do curso brasileiro, combinado com atividades práticas presenciais de discussões, produção de rádio coletiva e até encontro com jovens”, explica a jornalista.

A maioria da população guineense fala o crioulo em seu dia a dia. Rehder considera que a experiência com os professores de língua portuguesa permitiu averiguar quais propostas de educomunicação (interface entre a comunicação e educação) − principalmente com rádio e gestão participativa nos processos educativos em sala de aula − são fundamentais para o ensino do português como língua oficial, mas respeitando sua convivência com o crioulo e as demais línguas tradicionais faladas no país.



Maria, que voltou a morar no Brasil, acompanhou também o trabalho da Rede de Crianças e Jovens Jornalistas (RCJJ) na Guiné-Bissau. Essa rede, criada e mantida por crianças e adolescentes, promove a Convenção sobre os Direitos da Criança no país. Eles produzem um programa de rádio feito por crianças e jovens, voltado para o público infantojuvenil, mas também muito ouvido pelos adultos. “O respeito à identidade e a promoção da língua são parte de um contexto maior de luta pelos direitos humanos, valorizando a universalidade e a colaboração”, diz a educomunicadora.

Nesse cenário de intercâmbio, Maria destaca a importância dos programas de cooperação que respeitem as demandas dos países em desenvolvimento, rompendo a lógica de doação das nações ricas às nações pobres. “A relação de língua, identidade e intercâmbio entre os países de língua portuguesa está inserida em um contexto maior de promoção dos direitos humanos com base na sua universalidade, indivisibilidade e interdependência”, analisa.

Toda a experiência foi reunida na tese de mestrado Uma abordagem baseada na educomunicação para os direitos da criança. Pelo seu envolvimento com a interface comunicação e educação, hoje Maria também é integrante do Conselho Científico da Associação Brasileira de Educomunicação (ABPEducom). 



Contribuição do site da Plataforma do Letramento,

Veja os demais textos produzidos pela jornalista Lilian Romão, também da ABPEducom, para o site do programa Plataforma do Letramento, do CENPEC, coorodenado pela educomunicadora Márcia Coutinho:


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