quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Um conto de Natal? Ou... um conto de Educom!

No dia 17 de dezembro, o professor Ismar Soares recebeu uma mensagem de um ex-integrante do Educom.rádio, com quem se encontrara na Câmara Municipal de São Paulo, durante a celebração dos dez anos do Imprensa Jovem.

Era Danilo Vaz que, em 2001, havia participado como adolescente do programa de formação em educomunicação, ministrado pelo NCE/USP, e que beneficiou 6 mil professores, 4.500 estudantes, além de mil membros das comunidades educativas de 450 escolas da rede municipal de educação de São Paulo.

Ao ler a missiva, Ismar sentiu que estava recebendo um presente literário muito valioso: um conto natalino que decidiu – com a autorização do autor - socializar com os membros da ABPEducom:
Vejam o documento:

Bom Dia Professor, tudo bem ?

Quero ressaltar a alegria em reencontrar a educomunicação em sua essência na comemoração de seus 10 anos. Gostaria de agradecer também porque graças às suas pesquisas e a seus esforços para tornar esta linguagem viva, cresci e gerei frutos educomunicativos que protestam, declamam, gritam e cantam. 
Bom, quero compartilhar um pouco da minha experiência de vida após Educom.Rádio
Participei pela escola EMEF Engenheiro Horácio de Almeida localizada em Vila Conceição , Zona Leste. Após um ano de finalização do programa a escola foi desativada por ser de “latinha”. Esta foi a maior perca para o bairro. Protestamos, saímos na mídia, tivemos verbas liberadas para construção da mesma em alvenaria, mas os "meios" políticos conseguiram passar por cima de tudo e de todos e derrubaram todos os projetos e histórias existentes ali (Educom.Rádio, OP.Criança, Você Apita, Sexualidade, Projeto ECA..). 
Mas uma coisa continuou de pé! As sementes que foram semeadas estavam em fase de crescimento... e já era fato certo que, em algum momento, nasceria uma "flor no asfalto".
Cresci, liderei alguns movimentos políticos locais, desenvolvi outros projetos e vivi a comunicação como estilo de vida, sempre focando em quem eu gostaria de ser. Para custear os meus estudos comecei a trabalhar com 13 anos (sem deixar de estudar). Logo após o término do ensino médio entrei na faculdade de Design, fiz estágio em uma assessoria de imprensa e logo depois já estava trabalhando no Fábricas de Cultura que é um projeto do governo no qual eu trabalhava com as mídias na terceira idade. Logo após fui promovido e comecei a aplicar o meu trabalho com adolescentes na linguagem de multimeios. 
Em seguida fui convidado a visitar e desenvolver este trabalho em uma Igreja que cumpria o papel de escola na África do Sul - Cape Town. Logo após este processo fui convidado a fazer parte do grupo Marista como educador de Educomunicação, onde desenvolvo pesquisas e projetos alinhados á linguagem. Há um mês retornei de Chicago após 3 meses onde tive a oportunidade de experimentar outras referências e pesquisas. Continuo estudando, terminei minha pós em Gestão Jornalística, estou fazendo rádio e TV e o próximo passo é chegar até a ECA.

Os dois últimos projetos que desenvolvi no grupo Marista foi uma imersão junto com os educandos de 05 a 14 anos na cultura indígena durante 06 meses, projeto que resultou em um documentário, uma exposição de fotos e um seminário para professores e educadores da Zona Leste, tudo construído e organizado pelos próprios educandos.

E agora estamos iniciando um novo projeto que tem como objetivo reconstruir São Paulo a partir do olhar deles, vamos ouvir histórias e visitar pontos importantes da cidade para iniciarmos esta nova produção.

Enfim, são muitas coisas para se dizer neste e-mail. Gostaria muito que o Sr. visse de perto todas estas transformações que são frutos dos teus esforços. Sei que o seu tempo é curto e concorrido, mas gostaria de compartilhar mais coisas com você e principalmente de ouvir mais experiências e conselhos. O que o Sr. acha?

Um forte abraço.
Danilo Vaz
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Resposta do Prof. Ismar:
Querido Danilo,
O mundo está aberto para os construtores da educomunicação. O conceito já não nos pertence. Aliás, nunca nos pertenceu, mas sim aos que, na América Latina, construiram esta prática, tida, no passado, como “alternativa”, e que hoje passa a ser reconhecida como um campo de trabalho legitimado e consolidado, graças a ações como estas que você acaba de relatar.
Sua história é tão extraordinária que vale como um Conto de Natal, dos verdadeiros!
Feliz educomunicação, para você!
Prof. Ismar

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