terça-feira, 8 de novembro de 2016

Em dia histórico no Congresso Nacional, estudantes discutem Educomunicação com especialistas e a Unesco


Na mesa principal do Seminário: Ismar Soares (Abpeducom), Raquel Paiva (UFRJ), Sandra Tiné (MEC) Miguel Cançado (CCS) Alton Grizzle (Unesco) e as estudantes Maria Eduarda Oliveira e Clarice Villari
O Conselho de Comunicação Social (CCS) do Senado Federal recebeu nesta segunda-feira (07) o Seminário 'Educação Midiática e Informacional no Brasil - um olhar a partir da perspectiva da Unesco. O evento representa um marco histórico para a Educomunicação: pela primeira vez estudantes participaram de discussões sobre educação midiática no Congresso Nacional.


O ponto auge do evento foi a participação do Educom.Geração.Cidadã.2016 - projeto educomunicativo que integra o colégio Dante Alighieri e a EMEF Casa Blanca. As estudantes Clarice Villari e da Maria Eduarda Silva de Oliveira apresentaram aos membros do CCS como a educomunicação é trabalhada na prática, integrando "mundos que parecem diferentes, mas que são, na verdade, muito próximos".

"Representamos um grupo de participantes do projeto, jovens como nós, como todas essa pessoas aqui. Eles não puderam estar aqui hoje, mas vamos sempre lembrar que esse é o grupo que a gente está representando. Todos eles tiveram uma parte muito importante no projeto: Educom.geração.cidadã.2016", disseram.

Assista na Íntegra o Seminário Histórico no Senado


Presidente da ABPEducom e coordenador do Seminário no Senado, Ismar Soares abriu as atividades enaltecendo como um programa de educação midiática e informacional pode oferecer contribuições para melhorar os processos educativos.

"Hoje, o CCS se propõe a ouvir especialistas no âmbito dos fundamentos e das práticas que as Nações Unidas determinam como 'media and information literacy', algo que vai além do nosso âmbito brasileiro e que já está presente na sociedade internacional há várias décadas. Foi a partir da Unesco que esses conceitos se consolidaram em todo o mundo, inclusive no Brasil", disse Ismar.

Alton Grizzle, representante do Escritório Central da Unesco (Paris) e diretor da Divisão de Liberdade de Expressão e de Desenvolvimento da Mídia, explicou como as diretrizes da alfabetização midiática e informacional têm muitas interfaces com a Educomunicação.

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"A Unesco usa este termo "informação e alfabetização midiática", que é muito similar ao que estamos chamando de educomunicação no Brasil. O trabalho da Unesco sobre essa informação midiática se concentra em fortalecer o uso livre e democrático da mídia. Então, o setor de comunicação e de formação da Tecnologia da Informação tem três aspectos importantes. Nós nos concentramos em promover a capacitação para o jornalismo profissional e para os especialistas de informação em mídia e infraestrutura. Nós olhamos o marco regulatório e jurídico das leis da mídia e a governança da internet também", disse.

Raquel Paiva, professora da UFRJ, destacou a importância de habilitar os cidadãos de todas idades, gêneros e qualquer nível de instrução a ler, a interpretar as produções midiáticas, na opinião da especialista, responsáveis "por nos dizer quem somos e o que fazemos".

Estudantes  Júlia Assis Azevedo e Maria Beatriz do Nascimento Manuel, do projeto Educom.Geraçao.Cidadä.2016, concederam entrevista para TV Senado
"A relação entre educação e comunicação está dada desde o início de todas as discussões em torno do consumo das produções midiáticas. O que eu valoro como ponto fulcral na atuação da proposta da Educomunicação é o fato de ela ter se transformado numa presença concreta, há praticamente duas décadas, em inúmeras escolas do Estado de São Paulo principalmente, e pelo fato de aliar ao questionamento crítico o aspecto da produção. Quando ela insere a produção, ela entra na seara do lúdico, e é essa, talvez, a única esfera capaz de fazer frente a esse do universo dominado pelo sensório."

Para Sandra Zita Tiné, da Diretoria de Currículos e Educação Integral da Secretaria de Educação Básica do MEC, devemos pensar as tecnologia como parte da cultura, integrando no cotidiano das práticas sociais.

"Não podemos mais pensar as relações educativas sem a presença das tecnologias. Estas não podem ficar apenas restritas aos muros da escola. O uso da tecnologia precisa extrapolar, fazendo parte das disciplinas, mas, sobretudo do ponto de vista interdisciplinar. O objetivo é provocar a comunicação entre as dimensões, contemplando as especificidades", afirmou.

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