Foto: Seminário de conclusão do pós-doutorado no Centro de Ciências Sociais da Universidade de Coimbra

Rosane Rosa, associada da ABPeducom e professora associada da Universidade Federal de Santa Maria, apresentou em julho, o resultado de suas reflexões do Pós-Doutorado realizado no Centro de Ciências Sociais da Universidade de Coimbra sob a orientação do professor Boaventura de Sousa Santos. O Seminário “A Educomunicação como uma Epistemologia do Sul: possibilidades emancipatórias”, contou também com a participação do doutorando Rafael Gué Martini, convidado à apresentar a Metodologia de Diagnóstico, Análise e Invervenção Social desenvolvida pelo sociólogo Eduardo Vizer, como mais um aporte epistemológico do Sul à educomunicação.

Rosane se inspirou no desafio de “repensar a teoria crítica e reinventar a emancipação social”, proposto por seu orientador, e conduziu uma reflexão teórica sobre a proposição da Educomunicação como uma epistemologia do Sul. Iniciou definindo o conceito de emancipação social, para poder localizar o papel da educomunicação neste importante processo, sempre no contexto das organizações sociais brasileiras e latinoamericanas.

Considerou a área de interface entre a comunicação e a educação popular, em ambientes informais de aprendizagem, que denominou de Educomunicação Comunitária. Sempre instigando o público a pensar como efetivar processos emancipatórios, defendeu a tese de que a Educomunicação, como uma epistemologia do Sul, preenche o vácuo deixado pela Teoria do “Agir Comunicacional” de Habermas – enquanto um processo de emancipação apenas formal.

Para tanto, recorreu ao pensamento de autores como Boaventura, Kaplún, Soares, Citelli e Peruzzo, que, a partir da teoria da educação dialógica de Paulo Freire, investem em uma comunicação educativa que se distingue por ser participativa, pedagógica, problematizadora, democrática e com estética experimental. “Partimos da premissa que a comunicação é uma experiência de alteridade fundante para a efetivação da ‘ecologia de saberes’, para o ‘pensamento pós-abissal’ e para o processo de ‘tradução intercultural’, ao qual se refere Sousa Santos”, fundamentou Rosane.

Partindo do conceito de ‘ecologia de saberes’, também adotado por Vizer, Rafael apresentou o método diagnóstico desse autor argentino que propõe analisar as instituições e comunidades como uma ecologia social, como um cultivo ambiental do chamado “real social”. Esta metodologia se constituiria como instrumento específico, dentro da pesquisa-ação, para o estudo, compreensão e intervenção em ambientes associativos considerando seis dimensões de análise: a social, a cultural, a transcendente, a físico-natural, a subjetiva e a tecnológica. Estas seis dimensões ontológicas de ‘cultivo’ social seriam as mais internalizadas pelo senso comum, devido a ampla difusão dos conceitos da modernidade. “Numa aproximação à epistemologia do Sul, considerar estas categorias de análise, familiares ao senso comum, permitiria uma ‘navegação científica de cabotagem’, que possibilitaria criar teorias cada vez mais distantes da margem moderna, para rumarmos com segurança à sociedade pós-abissal”, concluiu Rafael.

Após as apresentações, um público diverso e qualificado instigou um debate que promete continuar vivo na expressão do conhecimento coletivo produzido por estes educomunicadores do Sul científico e também do Sul geográfico.

Link para os detalhes do evento: https://ces.uc.pt/pt/agenda-noticias/agenda-de-eventos/2018/a-educomunicacao-como-uma-epistemologia-do-sul

 

Tem uma sugestão de pauta? Envie para [email protected]